Teses Teológicas

Estou Tentando Tirar a Trave do Meu Olho

Estou Tentando Tirar a Trave do Meu Olho
Desejo falar abertamente aos sinceros e conclamar aos humildes (os que reconhecem que deveriam ser mais humildes ) mas sabem que não são como o deveriam, assim como bem o sei sobre mim mesmo.

Na verdade quero tratar mais particularmente, com aqueles que percebem angustiados que alguma coisa está errada, com o que chamam de evangelho em nossos dias, e senten-se tocados por Deus a assumir de alguma maneira responsabilidade pessoal ao invés de apontar por apontar as falhas nos outros. Em verdade, a situação está indo de mal para pior e muito rapidamente, mas creio que Deus está nos depertando não só para exortar mas para nos corrigirmos primeiro e depois exortar com a eficácia vinda pela graça de Deus. É muito difícil escrever o que pretendo nesta página, em todos os sentidos. Mas em muitas outras teses mencionei várias vezes os problemas que estou trazendo nesta hora. Não sei se deveria tratar dos sintomas ou das causas primeiramente, se deveria enfatizar o diagnóstico ou prescrever o medicamento. Com a ajuda do Senhor vou ver o que consigo fazer diante das minhas grandes limitações e se me farei compreender.

Em maior ou menor grau o que me parece é que mudamos o nosso nome e todos nos chamamos Outrem. O problema é que Deus disse ” A minha glória, pois, a Outrem não darei ” e aí há um dilema terrível pois tem havido grande esforço humano e muito investimento na tentativa de convencer Deus a mudar de idéia sobre esta questão, só que o Espírito Santo também disse “Em quem não há mudança nem sombra de variação” Vou ter que usar algumas figuras de linguagem para me fazer entender, mas que fique bem claro que figuras de linguagem são limitadas e só podem ensinar em determinadas características que possuem e nunca no todo.

As coisas hoje funcionam mais ou menos assim.

Como se o motorista do carro oficial de um grande chefe de Estado, com o dever de conduzir o veículo em comitiva, de forma que o povo contemplasse e admirasse aquela autoridade. De repente entendesse que quem deveria ser honrado, receber os aplausos e ser ovacionado fosse ele próprio e não seu chefe. Assim pensando o tal motorista, que realmente dirige um belíssimo carro, mas que não lhe pertence, buscasse meios de chamar a atenção sobre si, sobre o automóvel e sobre as suas habilidades. Talvez ele colasse muitos adesivos com o seu nome em letras garrafais, fizesse muitas manobras circenses, fizesse gestos insistentes para o povo, colocasse no sistema de som externo do carro gravações falando sobre si mesmo e coisas similares. E pior ainda achando e dizendo que fazia tudo para o chefe.

Ou se o servo de um certo rei que teria por missão anunciar a entrada do mesmo em recintos públicos, falar o nome do rei e sua dinastia e mencionar a sua bondade, seus serviços ao reino e a sua majestade. Agora resolve ao bater o cajado e alertar o povo atrair toda a atenção para si mesmo fazendo uns malabarismo e fala sobre o rei mas de uma forma em que parece mais está buscando honra para si mesmo e não como quem deva ficar em segundo plano. O auditório começa então a atentar mais para o servo do que para o rei que está entrando. E logo logo o povo vai exigir do rei que seja sempre aquele tal servidor que faça o serviço todas as vezes ou um outro que também lhes agrade. Ou seja, o rei já não é tão importante para eles.

Irmãos isto está ocorrendo realmente e nos acostumamos tanto que nem percebemos e reproduzimos naturalmente. Nas pregações, nos louvores, no ensino, no evangelismo, nas cruzadas evangelísticas etc. Por este motivo as pregações registradas em atos dos apóstolos feitas por Pedro, Paulo e Estevão eram tão diferentes da maioria do que temos hoje. Mas pior do que o conteúdo talvez seja a forma de apresentação. Não estou dizendo que também não me emocione e isto não altere o meu tom de voz e não acabe gesticulando. O problema se agrava em que estão promovendo isto de forma forçada. Ou seja, já há tonalidades e práticas estudadas para determinados efeitos nos ouvintes e gestos bem calculados também.

Alguns podem alegar que é a “loucura da pregação” de que fala o apóstolo Paulo, mas esquecem que o que Paulo disse é que a loucura é a mensagem de Cristo (O Messias) crucificado e não o arauteamento (kerigma). Afinal de contas, o ato em si de arautear era muito honrado e até os filósofos gregos praticavam. A loucura é aquilo que pregamos e só é locura para os sábios segundo o mundo. Caso Paulo pregasse pensamentos humanos, mesmo com conotação bíblica, e filosofias isto não seria considerado loucura. Mas como anunciava um Cristo salvador e libertador que morreu numa cruz, era motivo de piléria pois as mentes carnais não compreendem as coisas de Deus. Loucura da pregação é a de Pedro no dia do pentecostes que ganhou 3000 almas para Jesus Cristo, a mensagem e a unção foram suficientes para fazer a obra e não precisou Pedro fazer teatro algum, nem fazer alegorias, nem fazer graça para o povo rir e nem ninguém profetizar para o seu irmão do lado. Leia I Coríntios caps 1 e 2.

Em tudo isto o que acontece é um culto à personalidade do cantor, pregador, profeta etc. O Rei está ficando em segundo plano. Na prática o ministério pessoal acabou por ser mais importante, embora ninguém admita. Não se pode pregar, profetizar ou cantar com simplicidade e deixar o Poder verdadeiro fluir pelo Espírito Santo e em consequência tudo o que se consegue é um movimento que nos alegra por alguns momentos. Por isto quase não temos, de forma expontânea, batismo no Espírito Santo, curas, conversões com resultados, vidas realmente transformadas que buscam a plenitude de Deus em santificação e abolem de suas vidas as vaidades deste mundo, os embaraços e os pecados. Pois como citamos, da bíblia, Deus não dá a Outrem a sua glória. Logicamente os sete mil reservados por e para Deus ainda existem e glórias ao Senhor Jesus Cristo por isto.

A glória de Deus está sendo ofuscada pela personalidade e não podendo ser vislumbrada adequadamente não produz a eficácia da piedade e os milagres que glorifiquem ao Senhor não podem ocorrer. Ocorrem alguns movimentos por aí que enaltecem a igreja tal não sei de que, o fulano de tal e os seus ajudantes beltrano e ciclano, que após sugestionarem empurram a testa de pessoas desprevenidas que caem ou forçam algum enfermo a levantar da cadeira de roda. Insistem em criar algo em que o homem seja engrandecido. Creio em milagres e tenho sido abençoado nisto, mas ocorrem expontaneamente por ouvirem a palavra de Deus.

A solução é a morte do eu mas a carne, que é o ego caído, não gosta da cruz e morrer para si mesmo nem pensar. Mas ela tem sua inteligência e sabedoria terrena e deu um jeitinho global (não só brasileiro) de promover algo um pouco parecido com o evangelho mas que lhe atenda todos os caprichos. Como agora deixar toda a sua glória pessoal e pregar com simplicidade a Verdade e ser desprezado por todos e perseguido duramente, não receber convites para pregar e ficar pobre por consequência?

Será que fazendo uma campanha “As sete sextas feiras da morte do ego” e o pregador fosse o primeiro a receber a oração de libertação daria certo? Acho que não, penso que seria melhor se voltassemos à simplicidade que há em Cristo Jesus pela leitura singela da Palavra de Deus e oração com lágrimas seria o meio mais apropriado, e clamar por graça para que possamos alcançar fazer a vontade de Deus. Isaías 42:8 – Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura. Tiago 1:17 – Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. Lucas 9:48 – E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo é grande.